
25 de agosto de 2008
24 de agosto de 2008

Rosa de Hiroshima
(1973) Composição: Vinícius de Moraes e Gerson Conrad Interpretação: Secos e Molhados
Pensem nas crianças Mudas telepáticas
(1973) Composição: Vinícius de Moraes e Gerson Conrad Interpretação: Secos e Molhados
Pensem nas crianças Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradasPensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosaDa rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
A rosa radioativa
Estúpida e inválidaA rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
23 de agosto de 2008
Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinícius de Moraes
Assinar:
Postagens (Atom)
