“Qual a boa metáfora para descrevê-la: uma pluma? Uma flor delicada que, por milagre, anda? Um cristal frágil? Sua voz faz-se carícia tímida. Para onde foi a desbocada, de tom enérgico, manejando palavrões que abalaram bem-educados e bem pensantes?(...)" Hilda Hilst

4 de outubro de 2010

Chocolate blues


Faça bailar teus ossos
Priva do coração o hábito
Desvie seus olhos distraidos
Contemple as rosas murchas
E reconheça a beleza do desconhecido
Tanto faz se o espaço é grande
O que deve ser feito
Deve ser feito.
Hoje são as estrela
Amanhã quem saberá dizê-las.
Na secura das chuvas
Os passarinhos..

8 de setembro de 2010

Yin e yang


A calma é irmã da paz
A paz é intima
A vida em certas horas foge
De repente é primavera.
Estou livre das quimeras tristes
Que as horas humanas gritam.
Tantas vidas pra viver.
Tantas coisas por fazer
que as horas pairam sobre as flores dos ipês.
Mantendo-me entre versos,
Você declara independência
E eu a liberdade!!!

Nawá

11 de agosto de 2010

Circunstâncias




Precisamos de mais parágrafos felizes
Dos amores que surgem do insuspeito
Que venham de longe,
de onde vaga o pensamento dissonante.
Criaturas inteiras
Que fujam dos recortes de jornais
Que sejam vívidos, impávidos e colossos.
Que saibam acordar e sorrir pela manhã.
Feitos de sossego,
Aurora e oportunidades
Que antes de entrar limpem a sujeira da rua
E que a alma seja leve feito nuvem
Roupa de cama, Taça de vinho e disco de vinil.
Que não virem Porta-retrato no espaço dos outros fatos vis.
Que sejam brevemente demorados
Sussurrando em falsetes outros versos...

Jackeline Nawá

16 de julho de 2010

la fortuna


La verdad
Yo no se si Han transcurrido Los años
Yo les habia percibido en ostentaciones
Los "hombres solos"
Las Mujeres verdeantes
Las ropillas de Las Ventanas
Pero mi proprio coración...
EL tiempo en lo curso normale
Todo lo que sucede
Es la verdad de la Vida
Los "hombres y Mujeres" Las hijo en humanos
Pero de las noches sin rumbo enguarradas
Mi alma va Con Los Coches Las calles por interminables
El tiempo para encontrar lo que queda de ellos felciidade de los necios
Vive para esperar el día de la tierra dejará de girar y luego
Vuelvo en órbita
o tal vez una estrella aliberdade
a vagar por el universo aparte

Nawá

29 de junho de 2010

Altitude




Já não sei de saudades
Todas as novidades surgem
De um sorriso novo
De uma promiscuidade, vida!
Eu canto porque o instante existe
E foi ontem o meu amanhã
E se te chamo pra rodar
É porque o mundo pode dançar sobre nós
E você pode brincar de amor.
Juntos assim como os astros
Podemos rodopiar com o vento.
Viva comigo essas horas
Amanhã o dia foisse embora
E o sol nascerá só na nossa janela.
Para outros, apenas a noite,
O deleito dos sonhos eternos.
Basta-me um pequeno gesto,
e de longe e de leve,
e eu para sempre te leve...

Nawá

20 de junho de 2010

O vôo




Voltando da luta
Levanta teu coração
Voe de um lado para o outro rapidamente
Abra teus braços
E deixa as mãos erguidas para o céu
Os espaços estão curtos
Posso estar aqui quando você voltar
Posso te mandar uma mensagem pelo ar
E ai você me leva novamente naquele lugar
E eu poderei ver a cidade la de cima
E assim, vou entender que
Os espaços estão realmente curtos
E que esta cidade cabe na palma da mão
Ama-me, com ternura, ama-me de verdade
Realize todos os meus sonhos
E então, eu serei como a lua
Que flutua devagar.

Jackeline Oliveira

19 de maio de 2010

Lábios e silêncios


Quantas saudades do outono,
de suas cores amarelas...
Saudade do tempo onde os lábios não rachavam
Um tempo sonolento entre beijos e silêncios.

As estações estão mudando
Hora primaveira com suas
calêndulas apaixonadas,
horas o verão com sua cadência quente...
E eu me elevo como um pássaro
Na doçura daqueles beijos açucarados.

Saudade de usar os tons pastéis
De escutar o tique-taque dos relógios
De contar dia a dia quanto tempo falta para chegar setembro
E assim renascer nos meus vinte e poucos fatos
E ser novamente lábios e silêncios.

Jackeline (ás brumas)
Imagem: Klimt