“Qual a boa metáfora para descrevê-la: uma pluma? Uma flor delicada que, por milagre, anda? Um cristal frágil? Sua voz faz-se carícia tímida. Para onde foi a desbocada, de tom enérgico, manejando palavrões que abalaram bem-educados e bem pensantes?(...)" Hilda Hilst

16 de fevereiro de 2011

Na ribanceira da saudade


Felicidade mal acordada,
saudade desiquilibrada
e a fome exagerada por seu olhar com bom humor.
Fui buscar na tua fonte escondida,
todo amor,
toda comida e o depois ficou esse “meio” que nem te traz e nem te leva.
Larvas sem ter asas como a imaginação.
Na displicência dos beijos, outros realejos.

28 de dezembro de 2010

Iluminarius


No declive da espera
Flores meditam pela manhã
Corpos ainda sonolentos
Dispersam sonhos dormidos
Relvas de beijos
Noites a fio.
Esperas constantes
Antes ou depois de amanhã
Hão de voltar aqueles versos
E bem depois das estações
Meu coração palpitará em febre
Novos sopros de saudade
Longe dos velhos refúgios e das velhas chamas,
As brasas e as espumas.
Abismos invertidos e choque de flocos de
Gelo contra os astros.

15 de novembro de 2010

Jackeline



O futuro é turvo;
Eu "completo" minha alma
Com pontos no instante.
Muitas vezes eu perambulo,
enquanto meu coração rasteja,
Consequentemente.
Eu não quero o amor,
Prefiro de tempos em tempos
Eu prefiro o gosto do vento.
E para você,
Três tempos de palavras
Ao ritmo do momento
E ao êxtase
que entrelaça o vento.
Uma canção ingênua de
Inclinações naturais.
Uma contemplação
A tempo de observar
O instante passar

6 de outubro de 2010

BAILADO BLUES


Nessas noites o sangue vira whisk
Eu toco minhas notas distorcidas
Só pra te ver dançar baby
Dançar sobre seus ossos
Estou gritando para você ouvir
e eu vou continuar gritando até os seus ouvidos sangrarem
o meu doce e violento amor

Ninguém me faz sentir tão errado
Então olhe para mim enquanto eu cuspo a verdade em seu rosto
Porque eu só quero te ver dançar baby
Dançar sobre os meus ossos
Porque você não pode fugir esta noite
do meu doce e violento amor

Ainda é a mesma velha história
Um combate de amor e glória
Eu precisei de você,
Mas de jeito nenhum você precisou de mim
Por isso eu só preciso te ver dançar baby
TE VER DANÇAR.

Jackeline

Obs: MEU PRIMEIRO BLUES!

4 de outubro de 2010

Chocolate blues


Faça bailar teus ossos
Priva do coração o hábito
Desvie seus olhos distraidos
Contemple as rosas murchas
E reconheça a beleza do desconhecido
Tanto faz se o espaço é grande
O que deve ser feito
Deve ser feito.
Hoje são as estrela
Amanhã quem saberá dizê-las.
Na secura das chuvas
Os passarinhos..

8 de setembro de 2010

Yin e yang


A calma é irmã da paz
A paz é intima
A vida em certas horas foge
De repente é primavera.
Estou livre das quimeras tristes
Que as horas humanas gritam.
Tantas vidas pra viver.
Tantas coisas por fazer
que as horas pairam sobre as flores dos ipês.
Mantendo-me entre versos,
Você declara independência
E eu a liberdade!!!

Nawá

11 de agosto de 2010

Circunstâncias




Precisamos de mais parágrafos felizes
Dos amores que surgem do insuspeito
Que venham de longe,
de onde vaga o pensamento dissonante.
Criaturas inteiras
Que fujam dos recortes de jornais
Que sejam vívidos, impávidos e colossos.
Que saibam acordar e sorrir pela manhã.
Feitos de sossego,
Aurora e oportunidades
Que antes de entrar limpem a sujeira da rua
E que a alma seja leve feito nuvem
Roupa de cama, Taça de vinho e disco de vinil.
Que não virem Porta-retrato no espaço dos outros fatos vis.
Que sejam brevemente demorados
Sussurrando em falsetes outros versos...

Jackeline Nawá