“Qual a boa metáfora para descrevê-la: uma pluma? Uma flor delicada que, por milagre, anda? Um cristal frágil? Sua voz faz-se carícia tímida. Para onde foi a desbocada, de tom enérgico, manejando palavrões que abalaram bem-educados e bem pensantes?(...)" Hilda Hilst

29 de junho de 2010

Altitude




Já não sei de saudades
Todas as novidades surgem
De um sorriso novo
De uma promiscuidade, vida!
Eu canto porque o instante existe
E foi ontem o meu amanhã
E se te chamo pra rodar
É porque o mundo pode dançar sobre nós
E você pode brincar de amor.
Juntos assim como os astros
Podemos rodopiar com o vento.
Viva comigo essas horas
Amanhã o dia foisse embora
E o sol nascerá só na nossa janela.
Para outros, apenas a noite,
O deleito dos sonhos eternos.
Basta-me um pequeno gesto,
e de longe e de leve,
e eu para sempre te leve...

Nawá

20 de junho de 2010

O vôo




Voltando da luta
Levanta teu coração
Voe de um lado para o outro rapidamente
Abra teus braços
E deixa as mãos erguidas para o céu
Os espaços estão curtos
Posso estar aqui quando você voltar
Posso te mandar uma mensagem pelo ar
E ai você me leva novamente naquele lugar
E eu poderei ver a cidade la de cima
E assim, vou entender que
Os espaços estão realmente curtos
E que esta cidade cabe na palma da mão
Ama-me, com ternura, ama-me de verdade
Realize todos os meus sonhos
E então, eu serei como a lua
Que flutua devagar.

Jackeline Oliveira

19 de maio de 2010

Lábios e silêncios


Quantas saudades do outono,
de suas cores amarelas...
Saudade do tempo onde os lábios não rachavam
Um tempo sonolento entre beijos e silêncios.

As estações estão mudando
Hora primaveira com suas
calêndulas apaixonadas,
horas o verão com sua cadência quente...
E eu me elevo como um pássaro
Na doçura daqueles beijos açucarados.

Saudade de usar os tons pastéis
De escutar o tique-taque dos relógios
De contar dia a dia quanto tempo falta para chegar setembro
E assim renascer nos meus vinte e poucos fatos
E ser novamente lábios e silêncios.

Jackeline (ás brumas)
Imagem: Klimt

18 de maio de 2010

Outros temporais




La do outro lado
Não há nada pra fazer a noite
E você vai me mantendo viva com seu doce e caudaloso amor
Serei sua companhia em alguma estrada.
Meu fardo é pesado, querido,
E meus sonhos estão além de meu controle
Vestida de trapos e desperdícios..
Consumindo o mundo
Vou somente entre impulsos falsos..
Eu tenho sido miserável
Extremamente miserável querido
Contando até os pingos da chuva.
Decifrando a ilusão, trocando magia por fatos
Sem voltar atrás...
Trazendo a estranheza dos primitivos,
A luta dos bárbaros,
Rebuscando a delicadeza das gueixas...
Até o vento chegar e colocar tudo de cabeça pra baixo
E deixar o Homem mais selvagem do mundo chorando na dor.

Jackeline

17 de maio de 2010

Desatino



...querido Deus
Tentei dizer do meu próprio jeito
Você esta comendo o meu coração, e não resta muita coisa de mim.
Às vezes eu sei,
Às vezes eu me elevo
Cada pessoa é uma multidão
Aturdido pela própria reflexão
Eu bebi o seu vinho
Eu tenho visto a sua cara e isso é muito para mim.
Eu vi os seus olhos
Por favor, seja gentil.
Busco minha parte..
Como um livro dentre muitos em uma grande estante...
...querido Deus
O que eram todos aqueles sonhos
Eu sou apenas humano
Não me deixe tão frio
Antes que eu desapareça
Sussurre no meu ouvido
E me deixe voar para o céu...
Eu mudei minha direção, agora não há como voltar...

Nawá

13 de maio de 2010

ESTRADA





PAIXÃO, AMOR E OUTROS FATOS VIS...
O COMEÇO, ONTEM E HOJE FOISSE EMBORA
A PAIXÃO DISSE NÃO TER TEMPO
O AMOR DIZ NÃO TER PRESSA
OS FATOS PERMANECEM EM UM LUGAR DE DIFICIL ACESSO
O PEITO FLORESCE NA SEQUENCIA DE UM RITMO TRISTE
O QUERER É ESTAR SEMPRE ALEGRE
MAS, DE OUTROS TANTOS NORTES
EI DE QUEDAR A ISÔNIA LONGA DE UM RIO TORTO
ERA ENTÃO UM BEIJO SÓ
E QUE DE SOLIDÃO
VIVE NA ILUSÃO DE UMA BOCA EM
EM DÓ
E DE SER ENTÃO UM VERSO TORTO
DE UM TEXTO LONGO
PARA UMA VIDA BREVE,
TANTOS TROPEÇOS..
ONTEM, HOJE E O INFINITO
SÃO LUGARES QUE ME PUXAM.
DO PASSADO PARA O PRESENTE ABERTO
DE UM HORINZONTE
INFINDO.

26 de abril de 2010

Meu fato ...



DE QUE CALADA MANEIRA VOCÊ CHEGA ASSIM SORRINDO, COMO SE FOSSE A PRIMAVERA?
De onde vem esse perfume?
Um mapa repleto de gestos
Uma vale de reticências
Um mergulho em águas turvas
O velho incenso amadeirado
Queimando a tempo de ser
Deixo em minhas entrelinhas você falar
Eu canto um canto de puro afago
Jeito gente que feito homem vira bicho
Entende?
São falácias de um tempo antigo
La onde teu coração foi ferido
Pude escutar teu gemido
Tu já era então
Um fato triste
Da minha doce alegria transmutada
Um realejo de versos meus
Outrora não recitados...

Jackeline Oliveira