“Qual a boa metáfora para descrevê-la: uma pluma? Uma flor delicada que, por milagre, anda? Um cristal frágil? Sua voz faz-se carícia tímida. Para onde foi a desbocada, de tom enérgico, manejando palavrões que abalaram bem-educados e bem pensantes?(...)" Hilda Hilst

10 de maio de 2009



Intelectual


Ontem o vi,

Com seu suposto orgulho...

Humano como eu,

Sabendo se mover

Com sua gramática multiverbal,

Generosa transgressão...

Combatente da contra-informação...

Disseminante da contra - hegemonia,

Uma revolução suave...

Mexe comigo,

Deixa-me com vontade de guerrear.

Das tuas curiosas curiosidades

Não te posso abstrair

A poesia é,

E devemos deixá-la assim,

"O prefácio da obra, os preparativos da festa..."

O tempo pode ser espiral..

"Novas perguntas, mais curiosidades, outros mergulhos... Talvez..."


Nawá

3 de maio de 2009



Um dia fora do tempo

Fui à feira comprar um riso, uma flor ou um espinho...
O riso estava em falta e as flores estavam murchas, só me restaram os espinhos.
Voltei a dormir
Coisas a sentir
Uma cadência
Um quarto desarrumado de sonhos vagos
Nem me acho no meio da maquiagem e do velho penteado
Quando acordar volto pra rua em busca de mim
Talvez eu me encontre ouvindo um blues
Talvez eu beba uma bebida flúor
Talvez eu assista uma divina comédia
Ou presencie um grande fato
Talvez eu encontre um riso em papelote
Ou compre uma roupa com decote
Talvez eu nem mais me encontre
E seja manchete de jornal
Talvez eu me mande um poema numa tarde de outono
Ou compre um coração em liquidação
Talvez não me deixe fugir
Talvez eu volte. Talvez Não.

Nawá

28 de abril de 2009

O horizonte anuncia a hora do crepúsculo
E por impulso te roubo um beijo na hora da partida
Teu afeto me afetou
E, de fato tenho que partir.
Levo o gosto salgado do teu afago e o amargo doce do teu olhar
Posso voltar a dormir, pois, já é manhã em mim!!
Nawá

26 de abril de 2009

Pelo sim ou pelo não
Pelas vielas da minha insana espera
Nos açoites das esquinas paralelas
Quantas bocas você diz a me olhar?
Sombras a te dizer
Que o tempo que passa é passado...
Que o tempo que vem é anseio
E que não se fazem mais futuros como antigamente
Pois, os braços de abraços se dispersam ...
Mas, os beijos do passado são eternos
E na vaidade daqueles que amam o tempo e o espaço são pequenos ...
Faço-te então um mapa das minhas novas ruas e das novas rimas do meu querer...
Antes de mais nada, tudo...

Jack Nawá/ Alexandre Silveira

20 de março de 2009


Versos são soltos,
Emergem da corriqueira essência de ser,
Atos insanos, profanos...
Uma regurgitofagia da profética orgia...
que nos faz embalar sonhos adormecidos
E que no meio desse desterro nunca haja economia do que falar
Visto que, por derradeiro o que não nos cabe é CALAR.

Nawá

3 de março de 2009




Que seus pés sejam sempre rápidos
Pois você já se perdeu nos meus braços
E neles ficou
Temporariamente perdido no mar...
Você que não era bom com as palavras
Desdenhava meus traços tortos
Mas a cada contato
E em cada elo, um coração balançava.
Em cada ato de amor um culpado
Em cada despedida um novo encontro
A cada canção uma melodia perdida
Nos meus versos inversos um alto reverso de ti
Olhando para um lugar que desapareceu
Entediada com minhas memórias
Eu sei por que você veio e sei quando você vai embora.

Nawá